Deleuze and Brazilian Indigenous Cinema: towards a Cosmopolitical Kinogenesis in the Vídeo nas Aldeias Project
Caio Souto
Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Manaus, Brazil
SOUTO, Caio. “Deleuze e o cinema indígena brasileiro: por uma kinogênese cosmopolítica no projeto Vídeo nas Aldeias”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 19, n° 37 (jul-dec/2025), p. 1-24.
Accepted: 10/30/2025 · Published: 12/29/2025
Deleuze e o cinema indígena brasileiro: por uma kinogênese cosmopolítica no projeto Vídeo nas Aldeias

Este artigo propõe uma leitura filosófica do projeto Vídeo nas Aldeias (VNA) a partir da teoria do cinema de Gilles Deleuze, articulando os regimes da imagem-movimento (Cinema 1) e da imagem-tempo (Cinema 2). A hipótese central é que o VNA realiza uma kinogênese cosmopolítica, ou seja, uma criação de povos e mundos por meio do cinema, não pela representação, mas pela composição sensível e estética. Tomando Dziga Vertov como figura-limiar da transição entre os regimes de imagem – ao levar a montagem dialética a um ponto de ruptura e instaurar um devir-maquínico da câmera –, o texto investiga como o VNA reativa essa potência em práticas indígenas contemporâneas de filmagem. Em diálogo com Pasolini (documentário como discurso indireto livre), Jean Rouch (fabulação performativa) e Glauber Rocha (cinema político), argumenta-se que o VNA elabora uma política da imagem em que o cinema se torna força de resistência, inscrição coletiva e invenção de povos que faltam.

Palavras-chave:
Deleuze; cinema indígena; imagem-tempo; cosmopolítica
Deleuze and Brazilian Indigenous Cinema: towards a Cosmopolitical Kinogenesis in the Vídeo nas Aldeias Project

This article offers a philosophical reading of the Vídeo nas Aldeias (VNA) project through Gilles Deleuze’s theory of cinema, articulating the transition from the movement-image (Cinema 1) to the time-image (Cinema 2). The central hypothesis is that VNA enacts a cosmopolitical kinogenesis – a creation of peoples and worlds through cinema – not by means of representation, but through composition and fabulation. Taking Dziga Vertov as a key figure in the dissolution of dialectical montage and the emergence of machinic perception, the article explores how VNA reactivates this aesthetic-political potential in indigenous filmmaking practices. In dialogue with Pasolini’s notion of the documentary as free indirect discourse, Jean Rouch’s performative fabulation and Glauber Rocha´s political cinema, the text argues that VNA embodies a politics of the image as collective enunciation and cosmopolitical resistance.

Keywords:
Deleuze; indigenous cinema; time-image; cosmopolitics