The Spontaneity of the Meaning of Life and Work: An Analysis based on Cézanne's Doubt
Tiago Nunes Soares
Universidade de São Paulo (USP)
Sao Paulo, Brazil
SOARES, Tiago Nunes. “A espontaneidade do sentido da vida e da obra: uma análise a partir de A dúvida de Cézanne”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 17, n° 33 (jul-dec/2023), p. 271-300.
Accepted: 07/11/2023 · Published: 12/29/2023
A espontaneidade do sentido da vida e da obra: uma análise a partir de A dúvida de Cézanne

O texto pretende explorar a constituição do sentido de uma obra, relacionando-a com uma noção de vida expandida para além do âmbito pessoal de um artista. Apresentando o paradoxo da liberdade, tal como aparece no texto de Merleau-Ponty dedicado a Cézanne, quero explorar a tensão entre necessidade e liberdade, e a imprevisibilidade nascida nas possibilidades de tal tensão. O sentido de uma vida e de uma obra dela nascida não têm, para Merleau-Ponty, uma explicação causal, nem recorrendo aos dados objetivos da vida de um artista, nem aos dados subjetivos de seu projeto pessoal, porque ambas as esferas fazem parte de uma única vida desenrolando-se dinamicamente em uma liberdade para além de uma noção meramente subjetivista. É na tensão entre projetos pessoais e as contingências da vida que a criação do artista se desenrola, e entre os condicionamentos e possibilidades constantemente abertas, um sentido vai se desvelando, sem rumo certo, discernível apenas em retrospecto. Encerrarei as reflexões com uma abordagem sobre a noção de “repetição criativa” proposta por Landes, tomando a expressão como fenômeno no qual o sentido nasce na tensão entre a pura repetição e a pura criação, tentando mostrar a espontaneidade e a fecundidade dos atos expressivos em suas possibilidades sempre abertas.

Palavras-chave:
Merleau-Ponty; Cézanne; espontaneidade; repetição criativa; expressão
The Spontaneity of the Meaning of Life and Work: An Analysis based on Cézanne's Doubt

The text intends to explore the constitution of the meaning of a work by relating it to a notion of life expanded beyond the personal sphere of an artist. By presenting the paradox of freedom, as it appears in Merleau-Ponty's text dedicated to Cézanne, I want to explore the tension between necessity and freedom, and the unpredictability born in the possibilities of such tension. The meaning of a life and of a work born from it do not have, for Merleau-Ponty, a causal explanation, neither resorting to the objective data of an artist's life, nor to the subjective data of his personal project, because both spheres are part of a single life unfolding dynamically in a freedom beyond a merely subjectivist notion. It is in the tension between personal projects and the contingencies of life that the artist's creation unfolds, and between the conditionings and constantly open possibilities, a meaning unfolds, without a certain direction, discernible only in retrospect. I will end my reflections with an approach on the notion of "creative repetition" proposed by Landes, taking expression as a phenomenon in which meaning is born in the tension between pure repetition and pure creation, trying to show the spontaneity and fecundity of expressive acts in their always open possibilities.

Keywords:
Cezanne; spontaneity; creative repetition; expression; Merleau-Ponty