Pressupostos, salvo engano, da dialética da semântica das formas
Pedro Franceschini
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Salvador (BA)
FRANCESCHINI, Pedro. “Pressupostos, salvo engano, da dialética da semântica das formas”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 19, n° GT2024 (Especial: GT 2024), p. 187-214.
Aprovado: 24/09/2025 · Publicado: 31/10/2025
Pressupostos, salvo engano, da dialética da semântica das formas

Partindo da formulação feita por Peter Szondi de uma “semântica das formas”, o artigo pergunta-se pelos pressupostos histórico-filosóficos da dialética forma-conteúdo, aplicada como método de interpretação privilegiado da crítica de arte moderna e contemporânea por uma série de autores. Além da referência mais explícita aos fundamentos hegelianos, defendemos a importância da poética dos gêneros do  primeiro romantismo, na figura de Friedrich Schlegel, para a funcionalidade plena de uma tal dialética. Seguindo os estudos do próprio Szondi sobre o autor romântico, apresentamos esses pressupostos mediante dois aspectos complementares, sua filosofia da história e o conceito de ironia, avaliando seus efeitos na concepção szondiana. Por fim, a título de questionamento, consideramos como esses pressupostos operam, e eventualmente se modificam, em outros autores que se filiam em alguma medida ao método – Lukács, Bürger, Candido e Schwarz –, criando linhas de tensão nas diferentes atualizações da “semântica das formas”. Este artigo desdobra um comentário ao texto de Ulisses Vaccari, “A semântica das formas: estética e dialética na crítica e na arte contemporâneas”.

Palavras-chave:
poética dos gêneros; romantismo; filosofia da história; ironia; formação nacional
Presuppositions—If not Mistaken—of the Dialectic of the Semantics of Forms

Starting from Peter Szondi’s formulation of a “semantics of forms,” this article inquires into the historical-philosophical presuppositions of the form-content dialectic, applied as a privileged method of interpretation in modern and contemporary art criticism by a range of authors. Beyond the more explicit reference to Hegelian foundations, we argue for the importance of the poetics of genres from early Romanticism, particularly in the figure of Friedrich Schlegel, for the full functionality of such a dialectic. Following Szondi’s own studies on the Romantic author, we present these presuppositions through two complementary aspects: his philosophy of history and the concept of irony, evaluating their effects on Szondi’s conception. Finally, by way of inquiry, we consider how these presuppositions operate—and are eventually modified—in other authors who, to varying degrees, align themselves with this method—Lukács, Bürger, Candido, and Schwarz—thus generating lines of tension within the different iterations of the “semantics of forms.” This text unfolds as a commentary on Ulisses Vaccari’s essay, “The Semantics of Forms: Aesthetics and Dialectics in Contemporary Criticism and Art.”

Keywords:
poetics of genres; Romanticism; philosophy of history; irony; national formation