Para que ainda uma estética?
Ricardo Barbosa
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Rio de Janeiro (RJ)
BARBOSA, Ricardo. “Para que ainda uma estética?”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 19, n° GT2024 (Especial: GT 2024), p. 390-419.
Aprovado: 25/09/2025 · Publicado: 31/10/2025
Para que ainda uma estética?

Em sua origem, a estética desempenhou um duplo papel: ela legitimou tanto a pretensão de autonomia da arte como também a de cientificidade da própria filosofia. O presente artigo discute o propósito da estética perguntando especialmente pela relevância do seu estudo universitário em face da “perda de evidência da arte” (Adorno) e dos efeitos irracionais da “racionalização da cultura” (Weber / Habermas). Entende-se que a estética será tanto mais útil quanto mais desempenhar aquele seu primeiro papel em estreita sintonia com o universo da “poética”, cuja dignidade terminou por recalcar em nome de suas pretensões como uma “ciência filosófica”.

Palavras-chave:
estética; modernidade; autonomia da arte; poética
Why Still Aesthetics?

In its origin, aesthetics played a double role: it legitimised the claim to autonomy of art and the claim to scientificity of philosophy itself. This article discusses the purpose of aesthetics, specially interrogating the relevance of its university study in view of the “loss of art’s self-evidence” (Adorno) and the irrational effects of the “rationalization of culture” (Weber / Habermas). It is assumed that aesthetics will be increasingly useful the more it plays its first role in close tune with the universe of  the “poetics”, whose dignity it ended up repressing on behalf of its claims as a “philosophical science”.

Keywords:
aesthetics; modernity; autonomy of art; poetics