A contemporaneidade de Benjamin e Brecht após o período histórico das vanguardas
Daniel Alves Gilly
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Salvador (BA)
GILLY, Daniel Alves. “A contemporaneidade de Benjamin e Brecht após o período histórico das vanguardas”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 19, n° 36 (jan-jun/2025), p. 56-72.
Aprovado: 10/05/2025 · Publicado: 30/06/2025
A contemporaneidade de Benjamin e Brecht após o período histórico das vanguardas

No debate alemão contemporâneo sobre o teatro, o nome de Brecht é geralmente visto como um negativo daquilo que se quer propor para os rumos de uma prática teatral que se emancipe dos parâmetros legados pelas vanguardas históricas. Por um lado, como na crítica encabeçada por Christoph Menke, Brecht conservaria em seus trabalhos uma concepção idealista de prática, sobre a qual se sustentaria a promessa de uma traduzibilidade da experiência corpórea do teatro para uma estratégia revolucionária racionalizada. Em outra leitura, a de Hans-Thies Lehmann, a presença de um cosmos ficcional no teatro épico apontaria para o pertencimento desta forma ao universo simbólico da modernidade, o que atenuaria a radicalidade do gesto brechtiano como irrupção corporal, “pós-dramática”, em direção a um teatro liberto das convenções de uma tradição racionalista. A ambas leituras, gostaria de propor, com esta apresentação, uma reconsideração dos textos de Walter Benjamin sobre as obras de Brecht nos quais é apresentada uma concepção do gesto que não se esgota em sua aplicação no interior de uma apresentação ficcional. Ao contrário, Benjamin aponta para uma relação entre corpo e técnica no teatro épico que não só já questiona um modelo de modernidade problematizado pela discussão contemporânea, mas que também se posiciona neste debate como contraponto tanto a um teatro enquanto pura corporeidade não mediada (Lehmann) quanto a uma cerrada autonomia do drama (Menke).

Palavras-chave:
Benjamin; Brecht; teatro; vanguarda
The Contemporaneity of Benjamin and Brecht after the Historical Avant-gardes

In the contemporary German debate on theater, Brecht's name is generally brought up as the opposite of what is proposed for the direction of theatrical practices free from the historical avant-gardes parameters. On the one hand, as in the critique led by Christoph Menke, Brecht's works retain an idealistic conception of practice, on which a translatability of the corporeal experience of theater into a rationalized revolutionary strategy would still be possible. On another reading, as in Hans-Thies Lehmann's, the presence of a fictional cosmos in epic theater would point to this form's belonging to the symbolic universe of modernity, which would attenuate the radical nature of the Brechtian “Gestus” as a bodily, “post-dramatic” irruption towards a theater freed from the conventions of a rationalist tradition. To both readings, I would like to propose, with this presentation, a reconsideration of Walter Benjamin's texts on Brecht's works in which he presents a conception of “Gestus” that is not exhausted in its application within a fictional presentation. On the contrary, Benjamin affirms a different relationship between body and technique in epic theater that not only questions a model of modernity that has been denied by the contemporary discussion, but also positions itself in this debate as a counterpoint to both theater as pure, immediate corporeality (Lehmann) and as the realm of the strict autonomy of drama (Menke).

Keywords:
Benjamin; Brecht; theater; avant-garde