Evanescente (2001) e a última fronteira: uma leitura a partir da perspectiva do ambiente das artes espaciais
Miguel Gally
Universidade de Brasília (UnB)
Brasília (DF)
GALLY, Miguel. “Evanescente (2001) e a última fronteira: uma leitura a partir da perspectiva do ambiente das artes espaciais”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 19, n° 36 (jan-jun/2025), p. 321-338.
Aprovado: 04/04/2025 · Publicado: 30/06/2025
Evanescente (2001) e a última fronteira: uma leitura a partir da perspectiva do ambiente das artes espaciais

Este ensaio pretende analisar a obra Evanescente (2001), de autoria de José Resende (1945) em parceira com João Bosco Renaud (1954), feita em comemoração aos dez anos da criação do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). Evanescente consiste num conjunto de 7 mil moedas de bronze, hoje espalhadas entre colecionadores, bibliotecas e galeristas. A partir dos recursos teóricos do ambiente das artes espaciais, pretende-se articular de modo íntimo três direções. Uma é discursiva — o que tais moedas dizem sobre a realidade enquanto monumento do cotidiano. Uma, relativa à memória, quando elas nos lembram que somos (em) circulação. E outra que se mostra como experiência a partir dessa circulação, permitindo especularmos sobre a arte enquanto uma divisa possível. Juntas, tais direções constroem a obra propriamente e mostram a condição difusa da comunicação espacial estabelecida entre espectador e artista desde uma tensão operativa, marcas do ambiente das artes espaciais.

Palavras-chave:
comunicação espacial; ambiente; José Resende; Evanescente
Evanescente (2001) and the Last Border: A Reading from the Perspective of Spatial Arts Ambient

This essay aims to analyze the work Evanescente (2001), by José Resende (1945) in partnership with João Bosco Renaud (1954), made to commemorate the tenth anniversary of the creation of the Southern Common Market. Evanescente comprises 7,000 bronze coins, now scattered among collectors, libraries, and gallery owners. By using theoretical resources from the spatial arts ambient, the aim is to articulate three directions intimately. One is discursive — what these coins say about reality as a monument of everyday life. One relates to memory when the coins remind us that we are (in) circulation; another presents the work of art as an experience based on this circulation, allowing speculation about the artwork as a possible currency. Together, these directions construct the work itself and show the diffuse condition of the spatial communication established between spectator and artist from an operative tension, hallmarks of the spatial arts ambient.

Keywords:
spatial communication; ambient; Jose Resende; Evanescente