Na terceira dissertação da Genealogia da Moral, Friedrich Nietzsche aborda o ideal ascético e, como forma de melhor entendê-lo, vai comparar como tal conceito teria sido colocado em prática por Richard Wagner. Seu Parsifal seria uma maneira de exemplificar a noção de desinteresse na arte, tal como foi proposta por Immanuel Kant e depois desenvolvida por Arthur Schopenhauer. A arte, para esses autores, seria vista ou de maneira “universal” e “eterna” ou como uma forma de substituir ou apagar outras vontades que nos atravessam. Para mostrar que a arte é sempre interessada, e deveria ser vista como uma potência que aviva a existência, Nietzsche vai recorrer a poetas como o persa Hafiz de Xiraz e a escritores como o francês Stendhal, que, com sua fórmula de que o belo é “uma promessa de felicidade”, teria visto o mesmo que Schopenhauer, mas numa chave oposta: a arte afirma a vida em sua complexidade e funciona como um antídoto para o ideal ascético.
In the third essay of the On the Genealogy of Morals, Friedrich Nietzsche discusses the ascetic ideal and, as a way of understanding it better, he compares how this concept was put into practice by Richard Wagner. His Parsifal was a way of exemplifying the notion of disinterest in art, as proposed by Immanuel Kant and later developed by Arthur Schopenhauer. Art, for these authors, would be seen either in a ‘universal’ and ‘eternal’ way or as a way of replacing or erasing other desires that run through us. To show that art is always interested, and should be seen as a power that enlivens existence, Nietzsche would turn to poets such as the Persian Hafiz de Shiraz and writers such as the Frenchman Stendhal, who, with his formula that beauty is ‘a promise of happiness’, would have seen the same thing as Schopenhauer, but in an opposite way: art affirms life in its complexity and works as an antidote to the ascetic ideal.