O mestre diante do outro: emancipação e igualdade nas imagens de Glauber Rocha e Jean Rouch
Gustavo Chataignier
Universidad Católica del Maule (UCM)
Talca, Chile
Luiz Baez
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Rio de Janeiro (RJ)
Matheus Matarangas
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Rio de Janeiro (RJ)
CHATAIGNIER, Gustavo; BAEZ, Luiz; MATARANGAS, Matheus. “O mestre diante do outro: emancipação e igualdade nas imagens de Glauber Rocha e Jean Rouch”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 17, n° 33 (jul-dez/2023), p. 136-161.
Aprovado: 10/10/2023 · Publicado: 29/12/2023
O mestre diante do outro: emancipação e igualdade nas imagens de Glauber Rocha e Jean Rouch

Este artigo parte do conceito filosófico de emancipação, sobretudo da figura do “mestre ignorante” defendida por Jacques Rancière, para investigar seus desdobramentos em duas obras cinematográficas. Para tanto, elegemos dois filmes produzidos entre 1950 e 1960, momento histórico de desenvolvimento dos cinemas novos e da preocupação com a formação de um público crítico e reflexivo, ambos centrados nas imagens de rituais litúrgicos. Trata-se de Os mestres loucos (1955), de Jean Rouch, e Barravento (1962), de Glauber Rocha. Comparados sob a luz do pensamento rancièriano, argumentamos que, embora os dois diretores se alinhem a propostas emancipatórias, o etnógrafo francês adota maior didatismo, enquanto o cineasta brasileiro demanda uma postura ativa de seu espectador.

Palavras-chave:
Cinema Novo; Glauber Rocha; Jean Rouch; emancipação
The Master in front of the Other: Emanciation and Equality in the Images of Glauber Rocha and Jean Rouch

This essay’s starting point is the philosophical concept of emancipation, more specifically Jacques Rancière’s notion of the “ignorant master”, as we aim to analyze its ramifications in two cinematic works. The selected films were produced in the 1950s and 1960s, a period when New Cinemas were in development concerned with the establishment of a reflective, critical audience. Jean Rouch's The Mad Masters (1955) and Glauber Rocha’s Barravento (1962) are centered around the images of religious rituals. By comparing both of them in light of Jacques Rancière’s thought, we argue that, although both directors align themselves to emancipatory projects, the French ethnographer endorses a didactic approach, while the Brazilian filmmaker demands active participation from his audience.

Keywords:
Brazilian new cinema; Glauber Rocha; Jean Rouch; emancipation