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DOI: 10.22409/1981-4062/v23i/257

O artigo de Ulisses Vaccari, “A poesia filosófica de Hölderlin entre o antigo e o moderno”, toma como ponto de partida a constatação de que a lírica de Hölderlin teve uma recepção relativamente recente, e notadamente filosófica. A partir da publicação da edição crítica de Norbert von Hellingrath, em 1913, juntaram-se a Dilthey – que já se ocupara dela, de modo pioneiro, no estudo A vivência e a poesia, de 1905 – pensadores tais como Benjamin, Cassirer, Heidegger e Adorno. O trabalho desses autores ajudou a consolidar seu lugar ao lado dos grandes nomes da poesia alemã, tais como Goethe, Lessing e Novalis.

A natureza propriamente filosófica dessa recepção tornou-se mais clara, sugere Vaccari, a partir da publicação do fragmento Juízo e ser, em 1961. A leitura desse escrito sugere que “Hölderlin esteve profundamente envolvido com os principais temas filosóficos e estéticos de sua época, num rico e intenso diálogo com as filosofias de Kant, Fichte, Schelling e Hegel”. É isso que dá ensejo à elaboração da principal hipótese defendida no artigo, a saber, aquela que reconhece uma relação íntima, ou orgânica, entre poesia e filosofia nesse autor: por um lado, porque a primeira tematiza problemas que pertenceriam ao âmbito da segunda; por outro, porque a segunda frequentemente busca uma forma de exposição que remete à linguagem da primeira.

Ulteriormente, tal posição será explorada por Vaccari em dois momentos, os quais respondem, na verdade, pela divisão de seu texto em dois itens. De início, serão abordados os anos que se estendem desde os primeiros contatos de Hölderlin com a filosofia até 1803, nos quais encontramos algumas de suas obras mais célebres, tais como o romance Hipérion e a tragédia inacabada A morte de Empédocles. Em seguida, o artigo trata de seu período de maturidade, marcado pela redação das Observações sobre Édipo e Antígona.

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Os primeiros fragmentos propriamente filosóficos de Hölderlin remontam ao ano de 1793, embora o interesse do autor pela filosofia os tenha precedido em aproximadamente cinco anos. Trata-se de textos de exegese complexa, à primeira vista pouco sistemáticos e, na expressão de Vaccari, “em si mesmos elípticos e reticentes”. A estratégia que permite superar essa dificuldade revela, precisamente, a unidade buscada como tema principal do artigo. Ela consiste em investigar esses escritos ao lado da produção poética do mesmo período, de modo a que a teoria e o efetivo exercício da poesia se autoiluminem reciprocamente. Isso permite “costurar a unidade subjacente a seus fragmentos, acompanhando o movimento propriamente hölderliniano de pensar o poético por meio da filosofia, bem como de tornar a filosofia um pensamento poético”.

Nesse sentido, são indicados três conjuntos de textos onde se observa uma convergência temática que faculta o estudo em paralelo. Os fragmentos gregos, tais como Sobre Aquiles e Uma palavra sobre Ilíada, podem ser lidos junto ao romance Hipérion; os fragmentos sobre a tragédia, tais como Sobre o trágico e O devir no perecer, ao lado de A morte de Empédocles; e, por fim, os fragmentos poetológicos, como Alternância de tons e Sobre as partes do poema, relacionam-se à produção lírica dos tempos de Homburg, que se expressa em poemas como Wie wenn am Feiertag e Dichterberuf.

Servindo-se desse método, Vaccari busca cumprir o objetivo central de seu artigo, que é o de explorar em maior profundidade as relações entre poesia e filosofia em Hölderlin. Um dos primeiros resultados alcançados nessa direção consiste na afirmação da necessidade da segunda para a primeira: somente aproximando-se da investigação filosófica é possível ao poeta moderno reconhecer o seu lugar e obter a formação exigida para a realização do seu ofício nesse horizonte histórico. Como sugere o autor, é desse modo que “o poeta se conscientiza da perda do papel formador da poesia ao longo da história, bem como de sua tarefa no sentido de reconquistar sua função educadora da cultura, à imagem do modelo homérico de poesia”.

Ao mesmo tempo, é necessário também afastar-se da filosofia. O grande referencial teórico que fundamenta a defesa dessa posição é, segundo Vaccari, a leitura antropológico-filosófica da história do Ocidente desenvolvida por Schiller na segunda fase de seu pensamento, aquela marcada pela aproximação com Goethe e pela publicação do periódico As horas. Como se sabe, o dramaturgo sugere, na primeira parte das cartas Sobre a educação estética do homem, que os antigos cultivavam uma relação mais harmônica com o mundo, a qual foi substituída, graças ao desenvolvimento da cultura, por uma outra na qual a humanidade já não forma um todo orgânico, constituindo-se antes como um agregado de indivíduos isolados.1 A cisão que o moderno vivencia é, desse modo, resultado do excesso de intelecto que caracteriza o seu horizonte histórico.

Como argumenta Schiller, esse movimento constitui-se, na verdade, como um passo inevitável na história da humanidade, necessário para corrigir uma desproporção que já se verificava mesmo no mundo grego. Se o moderno é excessivamente entendimento, o antigo era por outro lado excessivamente sensibilidade, e devemos buscar um equilíbrio entre as duas grandes partes de nosso ânimo para evitar os comportamentos selvagens ou bárbaros que resultam da preponderância de uma sobre a outra, como o dramaturgo pudera comprovar em seu próprio tempo. Essa é a tarefa a ser realizada por meio de uma educação estética – tarefa infinita, uma vez que a superação desse estado é posta mais como um ideal regulativo do que como uma meta a ser efetivamente alcançada.

Hölderlin partilha dessa concepção teleológica segundo a qual o percurso da humanidade abrange três estágios que se sucedem em direção à “reconquista do todo, abandonado e esquecido por uma sociedade e uma cultura demasiadamente analíticas”. Se a filosofia é, portanto, necessária para compreender a natureza desse trajeto e o momento histórico em que a Alemanha se encontrava no final do século XVIII, é preciso também superá-la de modo a aproximar-se do terceiro momento, aquele que será mediado pela razão, “a faculdade das Ideias e do Ideal (totalidade)”.

Outra referência importante para esse projeto provém, indica Vaccari, da filosofia kantiana. Trata-se da noção de “ideia estética”, caracterizada no §49 da Crítica da faculdade do juízo como uma “contrapartida” [Pendant] da razão. Uma leitura possível dessas passagens, que se encontram talvez entre as mais crípticas de toda a obra, consistiria na suposição de que elas pretendem discutir uma possível via de acesso às ideias, que são suprassensíveis e não podem ser exibidas como fenômenos. Se toda tentativa de conhecer esse tipo de representação tem sua origem e resulta em uma ilusão transcendental, as ideias estéticas facultariam uma apresentação indireta de seu conteúdo na arte, dando “muito a pensar” sem que nenhum conceito particular logre dar conta integralmente daquilo que temos diante de nós.

Ora, como vimos, o estágio final, aquele que restituiria a harmonia perdida entre ser humano e natureza, é apenas “ideal”, e não efetivamente alcançável. Sob a inspiração da filosofia kantiana, pode-se pensar, entretanto, em uma aproximação infinita dele por meio da estética. É nesse sentido, especula Vaccari, que se deve compreender o passo que Hölderlin pretendia dar para além das “ideias estéticas”: superar o segundo momento, analítico, na trajetória da humanidade desenvolvendo um modo poético de apresentar o conteúdo filosófico. “O movimento de superação da filosofia do entendimento”, sugere o autor, “[…] passa ao mesmo tempo pela transformação da própria linguagem utilizada para a exposição das ideias filosóficas”. No pensamento hölderliniano, ao contrário do que se observa em Schiller, esse papel caberá fundamentalmente ao gênero trágico.

Por fim, Vaccari aborda ainda os últimos anos da produção hölderliniana, particularmente a publicação das Observações sobre Édipo e Antígona. Seguindo Peter Szondi, o autor interpreta esse período como o ápice de suas reflexões poético-filosóficas, aquele que teria culminado na redação de uma poética especificamente moderna. Tal documento determinaria as regras a serem seguidas para a constituição dessa nova linguagem de exposição da filosofia, no esforço para superar o segundo momento, analítico, da história da humanidade. Aqui, “Hölderlin efetiva aquilo que havia ficado sempre inacabado e reticente: uma poética tipicamente moderna, capaz de revelar os fundamentos filosóficos da práxis poética moderna, a partir de uma comparação com a mechané antiga, numa exposição ela própria poética e não lógico-discursiva”.

Como se vê, o artigo de Ulisses Vaccari pretende, em última análise, destacar a importante e frequentemente esquecida contribuição de Hölderlin para esse período, bastante peculiar, em que a filosofia alemã buscou refletir sobre os fundamentos do moderno, não raro articulando essa reflexão a um diálogo crítico com a Antiguidade. Ele se mostra, portanto, em linha de continuidade com os estudos dos intérpretes mencionados em seu trabalho, mas também com o interesse despertado pelo poeta alemão entre filósofos franceses no final do século XX, tais como Maurice Blanchot, Philipe Lacoue-Labarthe e Françoise Dastur – interesse que teve também seus desdobramentos brasileiros nas pesquisas, por exemplo, de Virginia Figueiredo, Kathrin Rosenfield e Roberto Machado.2

Trata-se, assim, de uma investigação que dá muito mais a pensar do que seria possível discutir no âmbito dessa apresentação. Permito-me, desse modo, propor apenas duas ideias para o debate. Inicialmente gostaria de retomar a estreita ligação do projeto filosófico hölderliniano com as formulações de Schiller expostas nos artigos de As horas. Há evidentes analogias entre o diagnóstico do poeta acerca da situação do homem moderno e aquele que encontramos na parte inicial das cartas Sobre a educação estética do homem. Vaccari é o primeiro a reconhecer esse legado pois, em seu artigo, cita uma passagem dessa obra com o fim de caracterizar a visão fragmentária de mundo que, segundo Hölderlin, poderia ser atribuída ao típico burguês do século XVIII.

Do mesmo modo, a concepção de uma história da humanidade em três grandes estágios dos quais o último, por ser ideal, nunca pode ser atingido plenamente, tornando-se objeto de uma aproximação infinita, guarda evidentes semelhanças com o percurso traçado nas cartas que culmina com aquilo que Schiller denomina nossa “tarefa de mais de um século”.3 Vaccari tampouco se furta a atestar esse parentesco, referindo-se mais uma vez a uma passagem dessa obra que encontra reflexo, logo a seguir, em uma citação do Hipérion. A partir da leitura do texto, não é possível determinar, contudo, se há concordância entre os dois autores no que diz respeito ao modo como deveria ser realizada uma tal aproximação.

As cartas Sobre a educação estética fazem remontar a situação histórica do homem moderno a um desequilíbrio entre nossas faculdades, que Schiller descreve de modo pormenorizado na segunda parte de sua obra – trecho de clara inspiração kantiana conhecido, não à toa, pelo nome “dedução transcendental da beleza”. Tal descompasso entre entendimento e sensibilidade ganha formalização conceitual por meio do conflito entre os impulsos formal e material, o qual poderia ser remediado por uma educação estética que fomentasse o desenvolvimento de um terceiro impulso, lúdico. Ora, isso significa que, para atravessar o segundo estágio da história da humanidade e aproximar-se do terceiro, é preciso reformar internamente o indivíduo: não será possível “garantir realidade à criação política da razão” enquanto “não for suspensa a separação no interior do ser humano, e não for desenvolvida de modo suficientemente perfeito a sua natureza”.4

Não há menção, no artigo de Vaccari, a um movimento semelhante no pensamento de Hölderlin. Suas preocupações parecem concentrar-se mais sobre aspectos poetológicos, na medida em que se reputa a capacidade de superar o momento analítico que a humanidade enfrenta no século XVIII antes à criação de uma linguagem que seja capaz de fundir poesia e filosofia. Nesse sentido, talvez haja mais afinidade com o ensaio Sobre poesia ingênua e sentimental, texto que também se refere à organização da história em três estágios, como indicado por Vaccari em nota. A questão que gostaria de colocar é, portanto, se podemos encontrar também nos escritos hölderlinianos uma dimensão transcendental de superação da cisão moderna, tal como é o caso nas cartas.

O segundo ponto que gostaria de discutir diz respeito à aproximação com a doutrina kantiana proposta no texto de Vaccari. Embora isso não interponha dificuldades à leitura desenvolvida no artigo, julgo apropriado indicar, de início, que a interpretação de ideia estética como uma apresentação indireta de ideias suprassensíveis – por exemplo, como um modo de aproximar-se poeticamente de noções tais como as de inferno, purgatório ou paraíso – está longe de ser consensual entre os intérpretes de Kant. Muitos observaram que isso faria tal conceito depender de aspectos conteudísticos, e não formais, da obra de arte, o que poderia pôr em risco a função mais geral que ele deveria desempenhar na doutrina do filósofo, a saber, explicar a possibilidade de que o jogo livre entre imaginação e entendimento seja vivenciado também frente a objetos produzidos intencionalmente.5 Alguns comentadores chegaram a sugerir que esse conceito deveria ser estendido até mesmo aos objetos da natureza.6

De todo modo, interessa-me menos essa ligação com o pensamento de Kant do que aquela que é proposta um pouco mais adiante, na segunda parte do artigo, consagrada à análise das Observações sobre Édipo e Antígona. Nessa passagem, Vaccari sugere que “na Crítica do Juízo, Hölderlin encontra uma primeira tentativa filosófica de fundamentação do métier do poeta moderno, precisamente na relação mútua e interdependente entre criação (natureza) e gosto (cultura) que Kant estabelece em seu conceito de gênio”. O gênio, por seu turno, é uma capacidade produtiva e original que tem, entretanto, de ser sempre moderada pelo gosto – o qual, em caso de conflito, deve manter a primazia nos produtos da bela arte. Vem em auxílio dessa afirmação o célebre trecho do §50 onde o filósofo afirma que “o gosto é, assim como a faculdade de julgar em geral, a disciplina (ou cultivo) do gênio, corta-lhe muito as asas e o torna civilizado e polido; [...]”.7

É verdade que os parágrafos finais da “Analítica” abordam muitos temas pertinentes à discussão sobre a recepção e mesmo a produção da arte. Mas, principalmente por duas razões, me parece à primeira vista problemático interpretá-las no sentido poetológico sugerido pelo artigo de Vaccari. Em primeiro lugar, ainda que Kant insista sobre a necessidade de moderar os excessos do espírito pelo gosto, isso nunca pode obliterar completamente o caráter de originalidade da bela arte. O produto final nunca pode ser deduzido de regras objetivas, sob pena de se tornar escolar, e portanto arte mecânica, e não estética. É bastante conhecida, nesse sentido, a metáfora do §47 por meio da qual o filósofo critica aqueles que escolhem desfilar tanto sobre um cavalo colérico quanto sobre um cavalo treinado.8 Sendo assim, talvez seja possível buscar inspiração na terceira crítica para desenvolver uma poética moderna, como Hölderlin teria feito, mas ela seria uma poética do gosto, e não do gênio.

Em segundo lugar, parece igualmente estranho recorrer à Crítica da faculdade do juízo para esse fim quando se trata de investigar os fundamentos da tragédia moderna. Quando escreveu, no §53, que, “entre todas, a arte poética mantém o nível mais alto”9, Kant certamente não tinha em mente a arte trágica, sobre a qual praticamente não se manifesta na terceira crítica. As poucas referências que encontramos aqui parecem antes insistir sobre os obstáculos que o caráter excessivamente patológico dessa experiência contrapõem às pretensões de universalidade do ajuizamento estético. E, recorrendo à Antropologia, onde o tema é mencionado com mais frequência, podemos confirmar que o filósofo tomava o prazer vivenciado nessa situação como algo meramente sensorial, que decorre de um movimento de tensão e relaxamento do ânimo, por conseguinte de condições privadas que não podem ser imputadas a qualquer um.10

Concluo, portanto, essa apresentação colocando a questão acerca da procedência dessa tentativa de aproximar-se de uma poética da Modernidade com base no conceito de gênio kantiano, em particular quando essa poética pretende estabelecer as regras de composição da tragédia.

* Vladimir Vieira é professor do Departamento de Filosofia da UFF.
 
1 “[…] Aquela natureza polipoide dos estados gregos, onde o indivíduo gozava de uma vida independente e podia tornar-se o todo quando necessário, deu lugar agora a um mecanismo [Uhrwerk] artificioso onde se forma no todo uma vida mecânica a partir da agregação de partes infinitamente muitas, mas sem vida”. SCHILLER, F. “Über die ästhetische Erziehung des Menschen in einer Reihe von Briefen”. Theoretische Schriften. Edição organizada por Rolf-Peter Janz. Frankfurt am Main: DKV, 2008, pp. 556-676, aqui p. 572. Todas as traduções enpregadas nesse artigo são de minha autoria.
2 Cf., por exemplo, BLANCHOT, M. “L’itinéraire de Hölderlin”. In: L’espace littéraire. Paris: Gallimard, 1955, pp. 283-292; “La parole ‘sacrée’ de Hölderlin”. In: La part du feu. Paris: Gallimard, 1949, pp. 115-132; LACOUE-LABARTHE, P. Métaphrasis, suivi de Le théâtre de Hölderlin. Paris: PUF, 1998; DASTUR, F. Hölderlin, le retournement natal: Tragédie et modernité & nature et poésie. Paris: Encre marine, 1997; FIGUEIREDO, V. “O paradoxo sublime ou a alforria da arte”. In: Viso: Cadernos de Estética Aplicada, v. VIII, n. 15 (2014), pp. 130-163; MACHADO, R. “Hölderlin e o afastamento do divino”. In: O nascimento do tragico. Rio de Janeiro: Zahar, 2006, pp. 163-195; ROSENFIELD, K. Antígona de Sófocles a Hölderlin. Porto Alegre: LP&M, 2000.
3 SCHILLER, F. Op. cit., p. 579.
4 Ibidem, p. 578.
5 Entre os autores que tematizam esse problema encontram-se, por exemplo, GUYER, P. “Formalism and the Theory of Expression in Kant’s Aesthetics” In: Kant-Studien, v. 68, n. 1 (1977), pp. 46-70; JOHNSON, M. L. “Kant’;s Unified Theory of Beauty”. In: The Journal of Aesthetics and Art Criticism, v. 38, n. 2 (Winter, 1979), pp.167-178; LÜTHE, R. “Kants Lehre von den ästhetischen Ideen”. In: Kant-Studien, v. 75, n. 1(1984), pp. 65-74; ABACI, U. “Kant’s Justified Dismissal of Artistic Sublimity”. In: Journal of Aesthetics and Art Criticism, v. 66, n. 3 (2008), pp. 237-251.
6 E há, de fato, evidências textuais em favor dessa leitura, uma vez que o próprio Kant abre o §51, consagrado à classificação das belas artes, observando que “pode-se chamar em geral a beleza (seja ela beleza natural ou artística) a expressão de ideias estéticas”. KANT, I. Gesammelte Schriften (Akademische Ausgabe). Hrsg. von der Königlich-Preussischen Akademie der Wissenschaften zu Berlin, 1902-. AA 05: 320.10-12.
7 AA 05: 319.28-30.
8 Cf. AA 05: 310.17-20.
9 AA 05: 326.22-24.
10 Abordei de modo preliminar esse problema em “A segurança do sublime”. In: FREITAS, V.; PAZZETO, D.; COSTA, R. (orgs.). O trágico, o sublime e a melancolia. Belo Horizonte: Relicário, 2016, pp. 191-206.

 

Universidade Federal Fluminense (UFF)
Niteroi, Brazil

Accepted: 15.10.2018. Published: 27.12.2018.

 
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