Why Is Spatiality More Subversive than Temporality
Bruno Guimarães
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Ouro Preto, Brazil
GUIMARÃES, Bruno. “Por que a espacialidade é mais subversiva do que a temporalidade ”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 15, n° 29 (jul-dec/2021), p. 146-160.
Accepted: 11/30/2021 · Published: 01/30/2022
Por que a espacialidade é mais subversiva do que a temporalidade

Ao comentar o texto de Miguel Gally sobre as artes espaciais e a politização que se dá através das obras de arte que exploram o espaço, este artigo gostaria de destacar o potencial disruptivo das heterotopias de Michel Foucault. Em favor dos argumentos de Gally demonstrarei como uma conferência de Foucault sobre Outros espaços, de 1967, confirma que a espacialidade é mais subversiva que a temporalidade, mas gostaria também de avaliar os limites dessa tese. Partindo de sua pesquisa sobre as artes espaciais, comentando o modo como a ocupação dos espaços promove a heterotopia social e política, pretendo questionar a exemplaridade paradigmática que a obra Parangolés, de Hélio Oiticica, assume na derrubada de preconceitos sociais, barreiras de grupos e classes. Finalmente, pretendo discutir a ideia de recepção e de comunicação espacial, questionando os limites da própria ideia de comunicação, a partir do papel social que as vanguardas artísticas exercem na sociedade.

Palavras-chave:
arte espacial; heterotopia; Foucault; Oiticica; comunicação espacial
Why Is Spatiality More Subversive than Temporality

By commenting Miguel Gally’s text about space arts and the politicization that takes place in artworks that explore space, this article would like to highlight the disruptive potential of Michel Foucault’s heterotopias. In favour of Gally’s arguments, I will demonstrate how Foucault’s 1967 lecture Of Other Spaces confirms that spatiality is more subversive than temporality, but I would also like to evaluate the limits of this thesis. Based on his research on space arts, commenting how the occupation of spaces promotes social and political heterotopia, I intend to question the paradigmatic exemplarity that Hélio Oiticica's artwork Parangolés assumes in the overthrow of social prejudices, barriers of groups and classes. Finally, I intend to discuss the idea of ​​reception and spatial communication, questioning the limits of the very idea of ​​communication, based on the social role that artistic avant-garde  plays in society.

Keywords:
space art; heterotopy; Foucault; Oiticica; spatial communication