Beyond Utopias: Ranciere and the Heterotopic Images
Daniela Cunha Blanco
Universidade de São Paulo (USP)
Sao Paulo, Brazil
BLANCO, Daniela Cunha. “Para além das utopias: Rancière e as imagens heterotópicas”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 14, n° 27 (jul-dec/2020), p. 92-127.
Accepted: 10/29/2020 · Published: 12/28/2020
Para além das utopias: Rancière e as imagens heterotópicas

Partindo da análise de algumas imagens da arte contemporânea pretendemos dar a ver a impossibilidade do pensamento das relações entre arte e política sob a categoria de utopia e, com isso, propor que a concepção de partilha do sensível, de Jacques Rancière, daria mais conta de pensar as capacidades de resistência da arte. Pretendemos pensar o poder disruptivo da arte a partir da noção de heterotopia, tal qual pensada por Michel Foucault; termo ao qual Rancière remete-se em sua crítica à noção de utopia, sem aprofundá-lo. Em oposição ao que denominamos de imagens utópicas, procuraremos construir a figura de uma imagem heterotópica, na qual não se trata de pensar um engajamento político no sentido de desvelar a verdade aos espectadores, mas, antes, de operar pequenos desvios e fendas na ordenação comum das coisas. Trata-se de ver pequenos lampejos, fugazes e frágeis, tais quais aqueles pensados por Georges Didi-Huberman, cujo pensamento da persistência do olhar será apresentado em diálogo com Rancière.

Palavras-chave:
heterotopia; partilha do sensível; imagem; Jacques Rancière
Beyond Utopias: Ranciere and the Heterotopic Images

Based on the analysis of some images of contemporary art, we intend to show the impossibility of thinking about the relations between art and politics under the category of utopia and, with this, we propose that Jacques Rancière's conception of distribution of the sensible would give more account to think about the resistence of art. We intend to think about the disruptive power of art from the notion of heterotopy, as thought by Michel Foucault; term to which Rancière refers in his criticism of the notion of utopia, without going into it further. In opposition to what we call utopian images, we will try to construct the figure of a heterotopic image, in which it is not a matter of thinking about a political commitment in order to reveal the truth to the spectators, but, rather, to operate small deviations and cracks in the common ordering of things. It is about seeing small flashes, fleeting and fragile, such as those thought by Georges Didi-Huberman, whose thought of the persistence of the gaze will be presented in dialogue with Rancière.

Keywords:
heterotopia; distribution of the sensible; image; Jacques Ranciere