The Individual in the Face of Catastrophe: The Paradigm of Dystopia in Contemporary Times
Matheus Fernandes
Universidade Federal Fluminense (UFF)
Niterói, Brazil
FERNANDES, Matheus. “O indivíduo diante da catástrofe: o paradigma da distopia na contemporaneidade”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 14, n° 27 (jul-dec/2020), p. 152-184.
Accepted: 08/09/2020 · Published: 12/28/2020
O indivíduo diante da catástrofe: o paradigma da distopia na contemporaneidade

O gênero da ficção distópica alcançou enorme popularidade entre os leitores atuais. Em particular, constata-se que a eleição de políticos conservadores e sectários alavancou as vendas globais desta espécie de literatura. Esses leitores, aparentemente, enxergam na distopia uma representação dos problemas sociais de seu tempo. No entanto, o posto da distopia enquanto guia espiritual do indivíduo moderno resiste a um exame mais rigoroso de seus pressupostos político-culturais? O enredo desses romances é construído em torno da demanda por autonomia individual diante da sociedade, estimulando o que podemos chamar de “liberdade de poder”, a liberdade de expandir o seu horizonte de agir e viver. A partir do argumento de que o estímulo desenfreado desta categoria da liberdade é um instrumento para a exploração neoliberal, o artigo busca revisitar o legado político das ficções distópicas.

Palavras-chave:
distopia; utopia; filosofia política; estética
The Individual in the Face of Catastrophe: The Paradigm of Dystopia in Contemporary Times

The genre of dystopian fiction has reached an outstanding popularity among modern readers. In particular, we notice that the election of conservative politicians increased the sales of this type of literature. These readers, apparently, see in dystopia a representation of the social problems of their time. However, can the status of dystopia as the spiritual guide of the modern individual resists to a more rigorous inspection of its political and cultural presuppositions? The plot of these novels is built around the claim for individual autonomy, stimulating what we can call “liberty of power”, the liberty to expand your horizon of living and doing. Following the argument that the unbridled stimulus to that category of liberty is an instrument for the neoliberal exploration, the paper tries to revisit the political legacy of the political dystopias.

Keywords:
dystopia; utopai; political philosophy; aesthetics