The Biennials and the Biennial
Aline Luize Biernastki
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Curitiba, Brazil
BIERNASTKI, Aline Luize. “As bienais e a Bienal”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 14, n° 26 (jan-jun/2020), p. 113-139.
Accepted: 04/14/2020 · Published: 07/04/2020
As bienais e a Bienal

Analisando um panorama de mais de trezentas bienais internacionais de arte contemporânea em todo o globo alguns teóricos oferecem alternativas para entender o surgimento exponencial dessas megaexposições desde os anos 1990. Discuto, neste ensaio, as informações reunidas pelo periódico da Universidade de Zurique, OnCurating, face às proposições de classificação do historiador Anthony Gardner, para então sugerir que é preciso interpretar as bienais de arte com base em seus usos políticos, em vista dos recentes processos de globalização e do que o curador nigeriano Okwui Enwezor chamou de “vontade de globalidade”. Pretendo demonstrar que, ao se investigar as razões e os impactos das megaexposições de arte na contemporaneidade, os aspectos políticos que podem identificar cada uma delas devem ser apontados devido à genealogia ligada às relações internacionais. O argumento está apoiado inicialmente por quatro exemplos de bienais em diferentes partes do mundo, seguidos por um estudo sobre as edições de 2017 e 2019 da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba – duas exposições que homenagearam, respectivamente, a China e o grupo político BRICS. Por fim, concluo que os dois eventos realizados na capital paranaense foram pensados por seus organizadores como “agências de relações internacionais”, com propósito de favorecer a cooperação entre países no plano político e econômico, mas sobretudo de beneficiar a instituição promotora, ampliando tanto suas relações políticas quanto as diplomáticas, capazes de promover sua expansão espacial e financeira na busca por maior visibilidade global.

Palavras-chave:
China; BRICS; Bienal de Curitiba; exposições; arte contemporânea
The Biennials and the Biennial

Analyzing a panorama of more than three hundred international biennials of contemporary art across the globe, some theorists offer alternatives to understand the exponential appearance of these mega exhibitions since the 1990s. In this essay, I discuss the information gathered by the Zurich University journal, OnCurating, in view of the historian Anthony Gardner's classification proposals, to then suggest that it is necessary to interpret the art biennials based on their political uses, in view of recent processes of globalization and what the Nigerian curator Okwui Enwezor called “will to globality”. I intend to demonstrate that, when investigating the reasons and impacts of mega art exhibitions in contemporary times, the political aspects that can identify each one of them must be pointed out due to the genealogy linked to international relations. The argument is supported initially by four examples of biennials in different parts of the world, followed by a study on the 2017 and 2019 editions of the Curitiba International Biennial of Contemporary Art - two exhibitions that honored, respectively, China and the BRICS political group. Finally, I conclude that the two events held in the capital of Paraná were thought by their organizers as “international relations agencies”, with the purpose of favoring cooperation between countries in the political and economic plan, but above all to benefit the promoting institution, expanding both their political and diplomatic relations, capable of promoting its spatial and financial expansion in the search for greater global visibility.

Keywords:
China; BRICS; Curitiba Biennial; expositions; contemporary art