Primo Levi, razão, narração, lacunas
Jeanne Marie Gagnebin

É difícil escrever algo sobre Primo Levi. Retomei muitos textos depois de uns vinte anos, talvez mais, não lembro quando li, pela primeira vez, em francês Si c’est un homme ? O impacto continua, a admiração também, mas surge uma desolação infinita, como uma vergonha de ainda ter que insistir, agora, no presente desastre, no Rio de Janeiro de 2019, na atualidade dessa voz que se calou. Melhor seria poder simplesmente continuar essa tarefa de narração e de cuidado num cotidiano simples e evidente, solidário com a vulnerabilidade e com o sofrimento humanos, mas sem o assombro perante massacres e mortes que se renovam sem parar. Seria muito melhor poder lembrar “que existe algo difícil de definir, como uma remota possibilidade de bondade pela qual vale a pena se conservar vivo”, como escreve Primo Levi depois de evocar seu amigo Lorenzo.1

Voz clara sem pathos, sem efeito grandiloquente, sem lirismo, sem descrições sanguinolentas. Primo Levi sempre afirmou que ele era, em primeiro lugar, um químico, isto é, um homem interessado em análises científicas dos elementos, em descrição das transformações da matéria. Assim também, intenta, neste seu primeiro livro, começado em Auschwitz sobre pedacinhos de papel jogados fora, “fornecer documentos para um sereno estudo de certos aspectos da alma humana”, diz a tradução brasileira2, “fournir des documents à une étude dépassionnée de certains aspects de la vie humaine”, diz o francês.3 E, com humor, descreve a si mesmo, no momento de sua prisão pela milícia italiana fascista, como um jovem de 24 anos, acostumado a viver num mundo “um tanto apartado da realidade, povoado de racionais fantasmas cartesianos, de sinceras amizades masculinas e minguadas amizades femininas”.4

Ora, esse tom cartesiano nunca o abandona, essa preocupação com ideias claras e distintas, diria Descartes. Preocupação que Primo Levi enfatiza num artigo muito citado pelos seus comentadores (Jorge Semprun, no prefácio à edição dos poemas de Levi, À une heure incertaine5; Maurício Santana Dias, no prefácio à sua tradução de 71 contos6), “Sobre a escrita obscura”, publicado em 11 de dezembro de 1976, um artigo que desencadeou uma viva polêmica com o escritor e tradutor Giorgio Manganelli.7 Artigo, de fato, bastante contraditório, no qual Primo Levi começa falando que não se deveria impor limites ou regras à criação literária, mas continua dizendo que, segundo ele, um texto não pode nem deve ser “obscuro” porque deve ser compreensível por todos, sem ambiguidades nem ornamentos gratuitos. O artigo reconhece que nunca se pode ser totalmente claro, porque somos feitos de consciente e inconsciente, nossa consciência racional não sendo a única fonte de escritura. Mas Primo Levi deixa transparecer que ele detesta não só Nietzsche, mas também a poesia de Trakl e de Celan, afirmando até que a obscuridade de suas palavras poéticas poderia, em parte, explicar seus suicídios. A injustiça em relação a Celan é flagrante e desagrada até hoje, como se Primo Levi quisesse afirmar que só se deve e se pode escrever sobre Auschwitz com clareza, isto é, como ele o tentou. Mais fundamentalmente, sente-se uma irritação, rara nesse autor tão ponderado, em relação a certas modas literárias desses anos, nas quais as palavras aludem a outras palavras num jogo enigmático e abissal. Para Levi, poderíamos dizer, escrever significa antes de qualquer vontade expressiva, de qualquer indignação, de qualquer lirismo, confissão ou grito, ter algo importante a transmitir. Assim também, de maneira irônica, aconselha no fim de uma carta a um jovem leitor que lhe pergunta como poderia tornar-se escritor, que ele, em primeiro lugar, deve ter “algo a escrever”8, isto é, algo a dizer, que não se escreve pelo prazer da escritura, portanto...

No seu prefácio à tradução de 71 contos de Primo Levi, Maurício Santana Dias notou de maneira perspicaz que, quando Primo Levi começou a escrever “ficção”, acontece uma estranha inversão de perspectiva em relação à defesa de uma humanidade liberada que o testemunho sobre os campos de concentração instaura:

É até provável que esse – o impulso liberatório – tenha sido o móvel primeiro que conduziu o lúcido escritor de Auschwitz ao território do fantástico [da ficção]. Mas o que se vê nesses contos é precisamente a negação daquela liberdade inalienável do homem defendida com unhas e dentes nos relatos sobre a experiência nos campos de concentração. Portanto, paradoxalmente, o momento da invenção não liberta o narrador de sua pesada memória, mas o remete a um campo obscuro e reprimido pela razão iluminista: no caso específico dos contos, o campo da fatalidade biológica e da hipótese aberrante de que talvez a espécie esteja desde sempre orientada para a autodestruição [...].9

Essa observação fina de M. Santana Dias me leva a uma hipótese de leitura que gostaria de compartilhar com vocês. A saber, que talvez o impacto maior dos testemunhos dos livros de Primo Levi venha desse tom sóbrio, preciso, quase neutro, típico de uma descrição orientada pela racionalidade iluminista, pela Aufklärung, mas, ao mesmo tempo, desprovida do otimismo latente que costumava acompanhar tal confiança na razão. Uma linguagem clara, uma sintaxe clássica, que combinam sem problema com situações absurdas e cruéis, com a impossibilidade de qualquer previsão. Como em Kafka, que Levi traduziu, entendemos tudo, mas não parece existir nenhuma significação determinada. Existe, isso sim, a lembrança dolorosa de um mundo relativamente coerente, no qual se podia perguntar o sentido de uma palavra, de uma frase, de um gesto ou de uma ordem. Só que essa lembrança dói e deve ser, por assim dizer, apagada para poder sobreviver.

Aliás, tal pergunta ingênua sobre o “porquê”, essa pergunta típica das crianças, é motivo de deboche por parte dos prisioneiros mais antigos em relação aos novos que querem compreender minimamente, que procuram regras e normas de conduta. Em Os afogados e os sobreviventes10, Primo Levi conta que geralmente, quando um trem carregado de novos presos chegava ao campo, estes eram separados em doentes e sãos: os primeiros iam diretamente para as câmaras de gás, os outros para o trabalho; mas podia acontecer também que os vagões fossem abertos dos dois lados dos trilhos; um lado ia para o trabalho, outro para a morte. Essa ausência de normas comuns explica também por que os novos detentos foram geralmente derrubados nos primeiros dias de sua estada no campo. Perdiam tempo e energia em tentar compreender em vez de se concentrar no único esforço válido: a saber, tentar sobreviver a qualquer custo (mesmo que se possa morrer na noite seguinte), isto é, ao custo do entendimento e, também, da comunicação com os outros. Talvez a maior violência fosse essa: obrigar a desistir da tentação e da tentativa de compreensão. Não elaborar hipóteses nem esboçar um raciocínio esperançoso. Gravar na sua cabeça ou, como fez o prisioneiro Clausner, no fundo de sua gamela de sopa, a seguinte sentença: “Não tentar compreender”.11

Claude Lanzmann retoma essa interdição num texto curto, “Hier ist kein Warum”, num número da Nouvelle Revue de Psychanalyse consagrado a seu filme Shoah. Ele cita Primo Levi e descreve esse olhar simultaneamente claro e cego da seguinte maneira:

Diriger sur l’horreur un regard frontal exige qu’on renonce aux distractions et échappatoires, d’abord à la première d’entre elles, la plus faussement centrale, la question du pourquoi, avec la suite indéfinie des académiques frivolités ou des canailleries qu’elle ne cesse d’induire. “Hier ist kein Warum” (“Ici , il n’y a pas de pourquoi”) : Primo Levi raconte que la règle d’Auschwitz lui fut ainsi enseignée dès son arrivée au camp par un garde SS. « Pas de pourquoi » : cette loi vaut aussi pour qui assume la charge d’une pareille transmission. Car l’acte de transmettre seul importe et nulle intelligibilité, c’est-à-dire nul savoir vrai ne préexiste à la transmission. C’est la transmission qui est le savoir même.12

Como se sabe, as declarações de Lanzmann desencadearam polêmicas violentas, como se ele proibisse pesquisas históricas sobre o nazismo e sobre a aniquilação dos judeus. Me parece muito mais que ele quer resistir à tentação de procurar uma causa, mesmo que seja somente um pretexto, para explicar por que os judeus foram as vítimas privilegiadas do extermínio, tentação que a filosofia de Adorno e Horkheimer também denuncia (em particular no texto “Elemente des Antisemitismus. Grenzen der Aufklärung”, “Elementos do antissemitismo. Limites do Esclarecimento”, na Dialética do Esclarecimento). Mais radicalmente, o gesto do cineasta reitera o do escritor Primo Levi quando aponta para as “frivolidades” das discussões intelectuais e acadêmicas que tentam explicar o massacre e quando insiste naquilo que realmente importa: a saber, o ato de transmissão – Primo Levi diria de narração , ato tão necessário quanto o da nutrição, ato que responde a uma pulsão, a um impulso e que suscita geralmente repulsão, repulsão e recusa em ouvir o que os sonhos dos prisioneiros descrevem para a desolação dos sonhadores.13

Fundamentalmente, o que Levi com seu tom contido e Lanzmann com sua insolência costumeira denunciam é a violência maior do fascismo, a saber, a impossibilidade de poder contar ainda com as tentativas humanas de um entendimento comum, base do conceito de político, entendimento a respeito do qual gostaríamos de acreditar que ele pertence a toda humanidade e pode nos fornecer as normas para uma organização justa da vida. Quando falha essa premissa, também nós não queremos, como nos sonhos evocados, ouvir esse relato insuportável – que nos deixa sem voz. À violência fascista respondemos com hesitação ou, então, com uma certa complacência típica de nossos hábitos intelectuais, julgando que, se encontrássemos as razões das injustiças e dos massacres, poderíamos evitá-los, porque poderíamos convencer, graças aos nossos argumentos, dirigentes e soldados a não “abater” os pobres como se fossem bichos perigosos, a não fuzilar os índios, a não trucidar os negros – e caímos na tentação de organizar inúmeras mesas redondas sobre a dignidade humana, em busca das melhores hipóteses e dos melhores argumentos. Na verdade, estamos em busca de nossa ingênua onipotência intelectual perdida, estamos em busca da onipotência da razão e da possibilidade, mesmo longínqua, do progresso do gênero humano.

Volto a Primo Levi e, também, a Ulisses. Pois, num raro momento de alegria, indo buscar a sopa com o estudante alsaciano Jean, Primo Levi lembra como tentava citar Dante, o canto XXVI do Inferno, onde Ulisses conta como morreu. Jean é um “proeminente” especial porque se aproveita de sua situação “privilegiada” não para pisar nos mais fracos, mas, na medida do possível, auxiliá-los. Afora isso, ele sabe tão bem alemão quanto francês em razão de suas origens alsacianas. E gostaria de aprender italiano, aproveitando a companhia de Primo Levi no longo caminho até à cozinha. Interesse louco e utópico pela variedade das línguas humanas14 que assinalam uma comunicação humana possível na multiplicidade das línguas – em vez da redução à única linguagem ríspida da violência e das ordens.

Sem saber por que, Levi começa então por Dante e pelo canto de Ulisses, transformando a punição de Ulisses, sua nova viagem ao mar aberto, aos confins do mundo, viagem na qual encontrará a morte (segundo Dante), em proclamação de liberdade e de busca de conhecimento: “Considerate la vostra semenza/ Fatti non foste a viver como bruti/ Ma per seguir virtute e conoscenza”.15

Essas palavras que ressoam como a voz de Deus, diz o autor, indicam, sim, a tarefa da busca da liberdade e do conhecimento como sendo “semenza”, semente humana que deve ser cultivada para dar frutos, versos lembrados, não por acaso, aqui, num contexto de escuta amigável e de curiosidade pela rica diferença das línguas. Semente frágil e preciosa que a experiência dos campos quase conseguiu destruir, semente como signo do possível, nenhuma garantia de vitória e de floração.

Assim também, me parece, devemos ler os testemunhos de Primo Levi. Não como resposta à questão do Mal (uma questão da qual mesmo Kant disse que ela não pode ser resolvida), nem como promessa de um mundo melhor, mas unicamente como a narração ou a transmissão da existência frágil dessas sementes. Um gesto compartilhado por outro sobrevivente, menos conhecido no Brasil, Robert Antelme. “Le mal, c’est ce qui est et ne devrait pas être, mais dont nous ne pouvons pas dire pourquoi cela est”, dirá Ricoeur, concluindo: “Le mal, c’est ce contre quoi on lutte”.16

No seu último livro, Os afogados e os sobreviventes17, com o subtítulo Quarenta anos depois de Auschwitz, Levi continua ao mesmo tempo procurando o amparo das Luzes, como representante convicto da Aufklärung, e, igualmente, escrevendo sem nenhuma ilusão sobre o poder dessa racionalidade. Mais: abdicar dessa ilusão parece ser necessário para não ficar refém de uma concepção da dignidade humana que exclui os “não homens”, aqueles que eram chamados de “muçulmanos” e que alguém como Jean Améry não queria descrever. Esses mortos vivos colocam em questão nossas definições claras e nossa ética da dignidade, uma ética que, diz Primo Levi, devemos deixar de proferir se não quisermos repetir o gesto de aniquilação dos nazistas. Giorgio Agamben comenta:

O muçulmano penetrou em uma região do humano – pois negar-lhe simplesmente a humanidade significaria aceitar o veredicto da SS, repetindo seu gesto – onde dignidade e respeito de si não são de nenhuma utilidade, como também não uma ajuda exterior. Se existe, porém, uma região do humano em que tais conceitos não têm sentido, não se trata de conceitos éticos genuínos, porque nenhuma ética pode ter a pretensão de excluir do seu âmbito uma parte do humano, por mais desagradável, por mais difícil que seja de ser contemplada.18

Com Primo Levi, descobrimos uma razão sem “hybris”, sem orgulho ou desmedida, uma ética que não procura estabelecer normas, mas tenta escutar o murmúrio confuso dos muçulmanos e, também, as vozes de todos aqueles que formam essa “zona cinzenta” dos pequenos carrascos e pequenos poderosos, sem os quais a hierarquia do campo não funciona. Zona cinzenta da qual não escapam nem “os italianos”, Primo e Alberto, quando bebem juntos a água de uma torneira destruída e excluem outros companheiros dessa descoberta. Zona cinzenta que pode muito bem ser aquela em que permanecemos nós, gente simpática e covarde que não quer morrer e, portanto, fecha os olhos e obedece. Primo Levi vai até recusar as prerrogativas do juízo: impotência judicandi, diz ele ao contar a história de Chaim Rukowski, o “Rei” do gueto de Lódz. Se esse foi um herói disfarçado ou um traidor ridículo, não nos cabe julgar.

Claro, tribunais e condenações são absolutamente necessários para enunciar os crimes, nomear e punir os criminosos (justamente aquilo que no Brasil não foi feito depois da ditadura e que faz falta até hoje), e para tentar restabelecer algumas regras de vida “reta”, como diria Adorno. Mas isso é tarefa das instituições jurídicas, sempre provisórias e frágeis, encarregadas de representar a vontade balbuciante de uma nação. Como testemunha mor de Auschwitz, Primo Levi procede à descrição do campo de maneira clara e quase isenta; ele acredita, sim, na precisão e na justeza das palavras, mas desconfia dos poderes dessa razão que também sabe organizar com minúcia a destruição e legitimar a submissão.

Referências bibliográficas

AGAMBEN, Giorgio. O que resta de Auschwitz. São Paulo: Boitempo, 2008.

ANISSIMOV, Myriam. Primo Levi ou la tragédie d’um optimiste. Paris: Lattès, 1996.

LANZMANN, Claude. “Hier ist kein Warum”. In: Nouvelle Revue de Psychanalyse, n. 38 (1988), p. 263-290.

LEVI, Primo. 71 contos de Primo Levi. Tradução de Maurício Santana Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

_____. À une heure incertaine. Prefácio de Jorge Semprun. Paris: Gallimard, 1997.

_____. “À un jeune lecteur”. In : Le métier des autres. Paris: Folio, 1992.

_____. É isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988.

_____. Si c’est um homme. Paris: Julliard, 1987.

_____. Os afogados e os sobreviventes. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1990.

_____. Les naufragés et les rescapés. Paris: Gallimard, 1989.

RICOEUR, Paul. “Le scandale du mal”. In: Esprit, n. 140/141 (1988).

* Jeanne Marie Gagnebin é professora do Departamento de Filosofia da UNICAMP.
* Texto apresentado no X Encontro do GT de Estética da ANPOF e também publicado originalmente em: GAGNEBIN, Jeanne-Marie. “Primo Levi: razão, narração, lacunas”. In: BINES, Rosana Kohl; LESSA, Renato. (orgs.). Mundos de Primo Levi. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio/Numa Editora, 2021 (no prelo). Reproduzido com autorização.
1 LEVI, 1988, p. 124 (tradução brasileira de É isto um homem?).
2 LEVI, 1988, p. 7.
3 LEVI, 1987, p. 7 (tradução francesa de Si c’est un homme).
4 LEVI, 1987, p. 11: “un monde quasiment irréel, peuplé d’honnêtes figures cartésiennes, d’amitiés masculines sincères et d’amitiés féminines inconsistentes”. Às vezes, a tradução francesa me parece mais irônica e melhor que a brasileira, por isso tomo a liberdade de citá-la.
5 LEVI, 1997, p. 1ff.
6 LEVI, 2005, p. 9-20.
7 Cf. ANISSIMOV, 1996, p. 586-588. Inútil dizer que não concordo com o título [Primo Levi ou la tragédie d’um optimiste] dessa bela biografia!
8 LEVI, 1992, p. 325.
9 LEVI, 2005, p. 14.
10 LEVI, 1990, p. 32ss.
11 LEVI, 1988, capítulo 10.
12 LANZMANN, 1988, p. 263. Tentativa de tradução: “Direcionar um olhar de frente ao horror exige que se renuncie às distrações e às escapatórias, antes de mais nada à primeira delas, àquela tida mais falsamente como central, àquela do porquê – com a sequência indefinida das frivolidades acadêmicas e das canalhices que ela não cessa de provocar. ‘Hier ist kein Warum’ (‘Aqui não há nenhum porquê’): Primo Levi conta que a regra de Auschwitz lhe foi ensinada, desde sua chegada no campo, por um guarda SS. ‘Nenhum porquê’: esta lei também vale para quem assume a pesada tarefa de tal transmissão. Pois somente o ato de transmitir importa e não há nenhuma inteligibilidade, isto é, nenhum saber verdadeiro, preexistente à transmissão. É a transmissão que é o próprio saber”.
13 LEVI, 1988, capítulo 5 (“Nossas noites”).
14 Lembremos que Primo Levi também queria estudar linguística.
15 LEVI, 1987, p. 121; LEVI, 1988, p. 116. Primo Levi transmite os versos de Dante, Inferno, canto XXVI, que contam da “hybris” e da punição de Ulisses, dando-lhes um outro sentido: o da procura da liberdade e do conhecimento!
16 RICOEUR, 1988. Tradução (minha): “O mal é aquilo que é e não deveria ser, mas do qual não podemos dizer por que isso é”. “O mal é aquilo contra o que se luta”.
17 LEVI, 1990 (tradução brasileira); LEVI, 1989 (tradução francesa).
18 AGAMBEN, 2008, p. 70.