O belo vai ao cinema
Vladimir Vieira
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Rio de Janeiro (RJ)
VIEIRA, Vladimir. “O belo vai ao cinema”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 1, n° 1 (jan-abr/2007), p. 109-123.
Aprovado: 07/03/2007 · Publicado: 13/04/2007
O belo vai ao cinema

Apesar da crescente atenção que vem recebendo dos comentadores kantianos nas últimas décadas, a Crítica da faculdade de julgar não parece desfrutar da mesma popularidade entre as linhas de pesquisa dedicadas à abordagem da arte. contemporânea. Com sua ênfase na análise de representações do sujeito, a obra do filósofo alemão parece a muitos inadequada para interpretar as peculiares manifestações estéticas do século XX.

Neste artigo, procuro mostrar que este pressuposto é falso, e que a estética kantiana ainda pode ser legitimamente empregada para compreender a natureza de certos fenômenos artísticos contemporâneos. Para tanto, utilizo distinções estabelecidas na “Analítica do belo” – seção da terceira crítica consagrada à categoria da beleza – como base para a interpretação do filme Cidades dos sonhos (2001), de David Lynch.

Palavras-chave:
estética; belo; Kant; cinema; Lynch
Beauty Goes to the Movies

Although the Critique of Judgment has received increasing attention from Kantian scholars in the last decades, its applicability to contemporary art remains essentially under dispute. Many believe its emphasis on the analysis of representations hinders the possibility of employing its principles to understand the peculiarities of XXth century aesthetic phenomena.

In this paper, I intend to show that this is a misconception, and that Kantian aesthetics may still prove useful to understand the nature of certain contemporary art objects. For this purpose, I employ concepts derived from the “Analytic of the Beautiful”, the section of the third critique that discusses beauty, to interpret a movie – David Lynch’s Mullholland Dr. (2001).

Keywords:
aesthetics; beauty; Kant; cinema; Lynch