O literato e o filósofo em Buriti, de Guimarães Rosa: as com(tra)posições estético-filosóficas na construção do amor e da vida
Bruno Pucci
Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)
Piracicaba (SP)
Luiz Carlos A. de Aquino
Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP)
São José dos Campos (SP)
Renata Pucci
Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP)
Piracicaba (SP)
PUCCI, Bruno; AQUINO, Luiz Carlos A. de ; PUCCI, Renata. “O literato e o filósofo em Buriti, de Guimarães Rosa: as com(tra)posições estético-filosóficas na construção do amor e da vida”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 13, n° 25 (jul-dez/2019), p. 171-197.
Aprovado: 28/06/2019 · Publicado: 30/12/2019
O literato e o filósofo em Buriti, de Guimarães Rosa: as com(tra)posições estético-filosóficas na construção do amor e da vida

Este artigo se propõe a interpretar o conto de Guimarães Rosa, Buriti, em interlocução com as reflexões de Theodor Adorno e com estudiosos do escritor mineiro, entre os quais José Maurício de Almeida e Luiz Roncari, tendo como eixo-central de análise as com(tra)posições estético-filosóficas de Rosa. São essas com(tra)posições naturais, culturais, sociais, que se negam internamente, umas às outras, nos diferentes momentos da narrativa, e que, ao mesmo tempo, se compõem na movimentação do todo, concebendo a estória como um ser vivo, que intensifica seu dinamismo no contato direto com o atento contemplador. Para cumprir seu percurso, o texto se desenvolve mediado por cinco com(tra)posições dialéticas: a tensão dia/noite, realidade aparente/realidade profunda na experiência de vida dos personagens; o irrequieto fluir do tempo e as mudanças de hábitos dos moradores de Buriti Bom; as contradições sociais de uma sociedade patriarcal em extinção; o olhar enviesado das Mulheres-da-Cozinha sobre os acontecimentos da casa grande; as rezas e as mandingas a serviço da manutenção do domínio patriarcal em luta contra o processo civilizatório em ação. Os autores partem do pressuposto de que são as com(tra)posições estético-filosóficas que incendeiam a narrativa, dão-lhe substância e invadem objetivamente a interioridade de seus contempladores.

Palavras-chave:
Buriti; Guimarães Rosa; contraposições estético-filosóficas; Theodor Adorno; realidade aparente versus realidade profunda
The Literate and the Philosopher in Buriti, by Guimaraes Rosa: Aesthetic-Philosophical Contrapositions in the Construction of Love and Life

This article proposes to interpret the tale Buriti, written by Guimarães Rosa, in interlocution with the reflections of Theodor Adorno and some of the writer’s researchers, among them, José Maurício de Almeida and Luiz Roncari. The analysis is centered in the aesthetic-philosophical contrapositions of the tale. These are natural, cultural, and social contrapositions that deny each other internally at different moments of the narrative, and at the same time are composed in the movement of the whole, conceiving the story as a living being, which intensifies its dynamism in direct contact with the attentive contemplator. In order to fulfill its course, the text is developed according to five dialectical contrapositions: The tension day / night, apparent reality / deep reality in the life experience of the characters; The restless flow of time and the habits changes of the inhabitants of Buriti Bom; The social contradictions of an endangered patriarchal society; The biased look of the “Kitchen-Women” (Mulheres-da-Cozinha) on the events of the house; The prayers and the sorceries at the service of the maintenance of patriarchal dominion, struggling against the civilizing process in action. The authors assume that the aesthetic-philosophical contrapositions ignite the narrative, give it substance and objectively invade the interiority of its contemplators.

Keywords:
Buriti; Guimaraes Rosa; aesthetic-philosophical contrapositions; Theodor Adorno; apparent reality versus deep reality