Intolerable Images, Tolerable (Counter) Monuments: A Critique of the Unrepresentable in Some Recent Memorials
Pedro Telles da Silveira
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Porto Alegre (RS)
SILVEIRA, Pedro Telles da. “Intolerable Images, Tolerable (Counter) Monuments: A Critique of the Unrepresentable in Some Recent Memorials”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 13, n° 25 (jul-dez/2019), p. 138-170.
Aprovado: 18/09/2019 · Publicado: 30/12/2019
Intolerable Images, Tolerable (Counter) Monuments: A Critique of the Unrepresentable in Some Recent Memorials

Nas últimas décadas, memoriais públicos têm adotado a abstração, e não a figuração, para representar os eventos que eles comemoram. Isso é feito especialmente no caso de eventos históricos traumáticos, como o 11 de Setembro. Enquanto a prática se situa em forte contraposição à tradição dos memoriais de guerra, também conecta estes memoriais à mudança na maneira como esses eventos são conceitualizados. Conforme a vitória sobre o inimigo, como nos memoriais de guerra, cedeu lugar à perda a toda a humanidade, como no exemplo paradigmático do Holocausto, os monumentos se abriram a interpretações críticas. Assim, esses monumentos e memoriais não apenas comemoram, mas também comentam ou condenam os eventos aos quais se referem. O problema se torna mais complexo, porém, quando se trata dos limites entre nações e comunidades de luto, como no já mencionado 11 de Setembro. Nestas situações, a retórica de favorecer a abstração sobre a figuração – que eu chamo aqui, a partir de Jacques Rancière, irrepresentação – coloca estes eventos numa zona neutra, desconectando-os de suas consequências políticas mas também da política mais geral de produção e circulação de imagens. Partindo de Rancière mas também de Reinhart Koselleck e Talal Asad, esta contribuição aborda os problemas levantados acima por meio da crítica do irrepresentável nos memoriais contemporâneos, argumentando que a celebração coletiva do luto privado não pode ofuscar o caráter político destes eventos.

Palavras-chave:
memória; arte pública; contramonumento; 11 de setembro
Intolerable Images, Tolerable (Counter) Monuments: A Critique of the Unrepresentable in Some Recent Memorials

Public memorials have in the last decades adopted abstraction instead of figurative representation to refer to the historical events they commemorate. This is specially the case of traumatic historical events, such as 9/11. While this stands in stark contrast to the tradition of war memorials, it connects them to a significant change in the way these events are conceptualized. As the victory over an enemy, as in war memorials, became a loss for all humanity, as in recent traumatic events, such as the paradigmatic case of the Holocaust, monuments opened themselves to critical interpretation. Thus, these monuments and memorials not only commemorate, but also comment or condemn the events they refer to. This is further complicated, however, when it comes to the boundaries between nations and communities of grief, such as in the aforementioned case of 9/11. In these cases, the rhetoric of favoring abstraction over figuration – which I call, drawing on Jacques Rancière, irrepresentation – places these events in a neutral zone, disconnecting them from their political consequences but also from a overall politics of the production and circulation of images. Drawing from Rancière but also from Reinhart Koselleck and Talal Asad, this paper addresses these issues through a critique of irrepresentation in contemporary public memorials, arguing that the collective celebration of private mourning cannot overshadow the political character of these events.

Keywords:
memory; public art; countemonument; September 11