Palimpsestos sonoros em Savannah Bay, de Marguerite Duras
Diego Reis
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Rio de Janeiro (RJ)
REIS, Diego. “Palimpsestos sonoros em Savannah Bay, de Marguerite Duras”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 13, n° 24 (jan-jun/2019), p. 133-147.
Aprovado: 20/10/2018 · Publicado: 30/06/2019
Palimpsestos sonoros em Savannah Bay, de Marguerite Duras

Este ensaio tem como objetivo propor uma leitura da peça Savannah Bay, de Marguerite Duras, como uma espectropoética, isto é, concebida como modo de trabalhar o elemento espectral em sua composição via procedimentos sonoros e imagéticos específicos. Pautada pela fragmentação sonora, pela polifonia, pela duplicação vocal e figural, esta peça teria como traço fundamental a ênfase na dimensão auditiva e no universo acústico das operações características de meios sonoros, o que resultaria na criação de zonas de tensão entre temporalidade e espacialidade, matéria sonora das palavras e imagem. Para além da camada semântica, aqui a voz é pensada não apenas com a força de choque de um objeto material, mas também como o lugar de uma ausência que, nela, se transforma em presença. Esta espectropoética se configuraria então como exercício de experimentação vocal e de escuta marcado por traço lacunar, por reduplicações, ressonâncias e espelhamentos que caracterizaria a indeterminação da ausência-presença como procedimento formal privilegiado desta dramaturgia.

Palavras-chave:
dramaturgia contemporânea; poéticas da cena; Marguerite Duras; escritura sonora; espectropoética
Sound Palimpsets in Savannah Bay, by Marguerite Duras

This essay aims to propose a reading of Savannah Bay by Marguerite Duras as a spectropoetic, that is, conceived as a way of working the spectral element in its composition by way of specific sonorous and imaging procedures. Guided by sonorous fragmentation, polyphony, vocal and figural duplication, this work would have as its fundamental trait the emphasis on the auditory dimension and the acoustic universe of the operations characteristic of sound media, which would result in the creation of zones of tension between temporality and spatiality, sound matter of words and images. Beyond the semantic layer, the voice is thought not only as the “shock force” of a material object, but also as the place of an absence that in it becomes a presence. This spectropoetics would then be configured as an exercise of vocal experimentation and listening marked by lacunar trait, by reduplications, resonances and mirroring that would characterize the indetermination of absence-presence as a privileged formal procedure of this dramaturgy.

Keywords:
contemporary dramaturgy; poetics of the scene; Marguerite Duras; sound writing; spectropoetics