A Poética de Aristóteles e as humanidades digitais: Da análise dos clássicos à criação de algoritmos
Marcelo de Araujo
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Rio de Janeiro (RJ)
ARAUJO, Marcelo de. “A Poética de Aristóteles e as humanidades digitais: Da análise dos clássicos à criação de algoritmos ”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 12, n° 22 (jan-jun/2018), p. 107-131.
Aprovado: 03/02/2018 · Publicado: 30/06/2018
A Poética de Aristóteles e as humanidades digitais: Da análise dos clássicos à criação de algoritmos

Este artigo se divide em duas partes. A primeira parte trata da Poética de Aristóteles, mais especificamente do modo como Aristóteles descreve a estrutura da narrativa dramática no contexto da antiguidade. Na segunda parte do artigo mostro como, a partir do século XIX, surgiram algumas tentativas de se representar em termos visuais a estrutura da narrativa dramática, tal como ela foi descrita por Aristóteles na Poética. Graças a desenvolvimentos recentes no âmbito da computação e da inteligência artificial, a representação gráfica da estrutura narrativa de obras literárias pode agora ser gerada por algoritmos. Na parte final do artigo discuto então algumas possíveis implicações decorrentes da utilização de algoritmos na análise de obras literárias. A principal implicação diz respeito à redefinição, ou pelo menos ampliação, do conceito de “leitor.”

Palavras-chave:
Aristóteles; ficção; estrutura narrativa; algoritmos; análise de sentimentos
Aristotle’s Poetics and the Digital Humanities: From the Analysis of Classics to the Creation of Algorithms

This article is divided into two parts. The first part deals with Aristotle’s Poetics, more specifically with Aristotle’s treatment of the structure of dramatic narrative in the context of antiquity. In the second part of the article I show that, from 19th century onward, some authors proposed a visual representation of the structure of dramatic narrative, as it was originally described by Aristotle in the Poetics. Thanks to recent developments in computation and artificial intelligence, the graphic representation of the narrative structure of literary works may be generated now by algorithms. In the final part of the article, I discuss some possible implications from the application of algorithms in the analysis of literary works. The most important implication concerns the redefinition, or at least an enlargement of the concept of “reader.”

Keywords:
Aristotle; fiction; narrative estructure; algorithms; sentiment analysis