Imagem e enigma
Ricardo Fabbrini
Universidade de São Paulo (USP)
São Paulo (SP)
FABBRINI, Ricardo. “Imagem e enigma”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 10, n° 19 (jul-dez/2016), p. 241-262.
Aprovado: 21/10/2016 · Publicado: 28/12/2016
Imagem e enigma

O artigo examina o conflito das imagens na contemporaneidade, a partir da reflexão estética de Jean Baudrillard. Mostra que para Baudrillard a imagem hegemônica na sociedade da simulação total é o simulacro: imagens planas; sem enigma, sem mistério; sem face oculta; nos termos do autor. Partindo desse diagnóstico, o texto conjectura se nessa sociedade hiper-real, é possível, ainda, produzir uma imagem-enigma, uma imagem que “force o pensamento”, no sentido de Gilles Deleuze, algo como o “chegante”, diria Jacques Derrida; algo que “aconteça no acontecimento”, diria Jean-François Lyotard; algo como “o impensado” afirmaria Foucault; algo como uma “possibilidade indefinida” na expressão de Hans-Thies Lehmann; algo que rompa, enfim, com o horizonte do provável, interrompendo toda organização performativa, todo contexto dominável por um convencionalismo; porque somente, assim, na subtração de elementos de poder, é que se liberaria, nesse drama da percepção, a força não meramente comunicativa da imagem, ou, em outros termos, sua biopotência. Nessa direção, analisamos as fotografias de Nan Goldin, Ana Mariani, do fotógrafo cego Evgen Bavcar, e do próprio Jean Baudrillard; além de obras que incorporam diversas mídias como as vídeo-instalações de Bill Viola e Wilhelm Kentridge e o teatro da dramaturgia visual de Hans-Thies Lehmann. Procuramos mostrar, em suma, que essas obras constituem o lugar, por excelência, para o desenvolvimento do drama da percepção, questão que está no centro da reflexão estética contemporânea. Concebem-se assim, essas imagens de resistência ou negatividade no contexto de uma agonística, entendida como o lugar e momento decisivos nos quais se desenvolve uma disputa relativa ao destino da imagem.

Palavras-chave:
Jean Baudrillard; Gilles Deleuze; imagem; simulacro; arte comtemporânea
Puzzle-picture

The article examines the contemporaneous conflict of images from Jean Baudrillard’s the aesthetic reflection. It shows that for Baudrillard the hegemonic image in society of total simulation is the simulacrum: flat images; no puzzle, no mystery; without hidden face. Based on this diagnosis, we text conjecture if in this hyperreal society it is also possible to produce a puzzle-picture, an image that "forces thinking" as said by Gilles Deleuze, something like Jacques Derrida’s; "arriving”, say something that "happens in the event," as said by Jean-François Lyotard; something like "thoughtless" asserted by Foucault; something like an "indefinite possibility" in the words of Hans-Thies Lehmann; something that breaks, at last, with the horizon likely, stopping all performative organization, all controllable by a context conventionality; because only then – with the subtraction of power elements this perception of drama, not merely the communicative power of the image, or, in other words, one’s biopotency – would be released. In this direction, we analyze Nan Goldin’s, Ana Mariani’s, the blind photographer Evgen Bavcar’s, and the very Jean Baudrillard’s photos; as well as works that incorporate a variety of media such as Bill Viola and Wilhelm Kentridge’s video installations and Hans-Thies Lehmann’s theatre of visual drama. In short, we tried to show that these works are the quintessential place for the perception of drama development, an issue that is at the heart of the contemporary aesthetic reflection. Thus these images of resistance or negativity in an agonistic context are understood as the place and decisive moment in which it develops a dispute to the destination image.

Keywords:
Jean Baudrillard; Gilles Deleuze; image; simulacrum; contemporary art