Do “sistema das artes” à ambiência pós-histórica: itinerários da estética contemporânea
Rodrigo Duarte
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Belo Horizonte (MG)
DUARTE, Rodrigo. “Do ‘sistema das artes’ à ambiência pós-histórica: itinerários da estética contemporânea”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 10, n° 19 (jul-dez/2016), p. 1-18.
Aprovado: 27/09/2016 · Publicado: 28/12/2016
Do “sistema das artes” à ambiência pós-histórica: itinerários da estética contemporânea

Uma fonte importante da reflexão sobre estética, hoje, é o que Hegel denominou “sistema das artes”, a saber, o resultado de um processo dialético no qual os principais métiers artísticos – começando com a arquitetura e terminando na poesia – se relacionam entre si, levando em consideração suas características associadas com o espaço ou com o tempo, originando uma espécie de “ranking” das artes. A estética contemporânea propriamente dita encontra na discussão de Theodor Adorno sobre o que ele chama de “pseudomorfose” um dos ecos mais influentes da posição de Hegel. Na medida em que as afirmações de Adorno foram desenvolvidas e atualizadas rumo à sua noção tardia de Verfransung (imbricação) das artes, elas se tornaram comensuráveis com a concepção de Arthur Danto de uma situação pós-histórica – um ambiente no qual nenhum ramo artístico predomina sobre qualquer outro, ocorrendo outrossim ilimitadas possibilidades de hibridização entre as artes. O ponto de vista de Danto, por sua vez, sugere uma proximidade com o diagnóstico de Vilém Flusser, de que presenciamos um ambiente pós-histórico num sentido mais amplo, dominado pelo que ele chama de “imagens técnicas”, no qual a arte aparece como um tipo de embriaguez.

Palavras-chave:
pseudomorfose; Verfransung; pluralismo estético; imagens técnicas
From the “System of the Arts” to the Post-Historical Environment: Itineraries of Contemporary Aesthetics

An important source for the reflection on Aesthetics nowadays is what Hegel termed “system of arts”, meaning the result of a dialectical process, in which the main artistic métiers – beginning from architecture and ending in poetry – relate to each other taking into account their features associated with space or time, giving birth to a kind of “ranking” of arts. The contemporary aesthetics itself finds in Theodor Adorno’s discussion on what he calls “pseudomorphosis” one of the more influential echoes of Hegel’s position. As Adorno’s statements were developed and updated to his late notion of Verfransung (imbrication) of arts, they became commensurable to Arthur Danto’s concept of a “post-historical” situation – an environment in which no artistic branch predominates over any other, occurring as well unlimited possibilities of hybridization among the arts. Danto’s viewpoint in its turn suggests proximity of Vilém Flusser’s diagnosis that we are facing to a post-historical environment in a wider sense, dominated by what he calls “technical images”, in which art appears as a kind of inebriation.

Keywords:
pseudomorphosis; Verfransung; aesthetic pluralism; technical images