O paradoxo sublime ou a alforria da arte
Virginia Figueiredo
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Belo Horizonte (MG)
FIGUEIREDO, Virginia. “O paradoxo sublime ou a alforria da arte ”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 8, n° 15 (2014), p. 127-161.
Aprovado: 15/08/2014 · Publicado: 31/01/2015
O paradoxo sublime ou a alforria da arte

Neste texto, pretendo analisar a tese principal do ensaio “A verdade sublime” de Philippe Lacoue-Labarthe, a qual poderia ser formulada do seguinte modo: a verdade sublime é o Ereignis, esse é o fundamento a partir do qual se desenvolveu uma dificílima operação que consistiu em modificar a tradição do sublime sempre apresentado negativamente naquilo que Lacoue-Labarthe chamou de "compreensão afirmativa do sublime ou da grande arte". O autor estabelece uma astuciosa aliança entre o que há de mais radical no pensamento de Heidegger e o sublime, tratado de maneira bastante polêmica, como a principal teoria da arte de Kant. Dessa articulação fundamental, pode-se concluir que ele não está apenas à procura de uma “Estética” (sequer de uma “Teoria da Arte”) sublime, mas, em busca de algo que é muito mais ambicioso, a saber: de um pensamento do sublime. Portanto, na minha opinião, o ensaio lacouelabarthiano constitui, por um lado, uma referência indispensável não só a quem quer que pretenda estudar a tradição do sublime, mas, por outro, compreender o pensamento heideggeriano sobre a arte e sua tentativa de encontrar uma determinação mais essencial e, sobretudo, ousaria dizer, mais política da arte.

Palavras-chave:
Lacoue-Labarthe; Heidegger; Kant; sublime
The Sublime Paradox or the Enfranchisement of Art

In this text, I intend to analyze Philippe Lacoue-Labarthe’s main thesis in his essay on “The Sublime Truth”, that can be taken as the claim that the so-called “sublime truth” is to be thought of as what Heidegger termed Ereignis. This is the foundation on which he attempted a very difficult transformation of the traditional, negatively defined notion of the sublime, into what he called “an affirmative conception of the sublime or great art”. Lacoue-Labarthe establishes a very cunning alliance between Heidegger’s most radical attempt to think being as Ereignis and Kant’s notion of the sublime, interpreted as the key element in Kant’s theory of art, properly understood. This shows to my mind that he is looking, under the label of “la pensée du sublime” for something more fundamental than a merely “aesthetic” or “art theoretical” conception of the sublime. For this reason, Lacoue-Labarthe’s essay is not only an indispensable reference for any one interested in the traditional way of thinking the sublime and in Heidegger’s thinking about art, but more importantly for any one interested in a more essential—more ontological and surprisingly also more political— determination of art.

Keywords:
Lacoue-Labarthe; Heidegger; Kant; sublime