A mosca e a panela: as formas da morte em A Montanha mágica
Pedro Caldas
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio)
Rio de Janeiro (RJ)
CALDAS, Pedro. “A mosca e a panela: as formas da morte em A Montanha mágica ”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 8, n° 15 (2014), p. 100-111.
Aprovado: 13/07/2014 · Publicado: 31/01/2015
A mosca e a panela: as formas da morte em A Montanha mágica

O objetivo deste artigo consiste em compreender o projeto de Thomas Mann em fazer de A montanha mágica um romance de formação. Para além da já consolidada interpretação de que esta obra é uma paródia do gênero Bildungsroman, gostaria de compreender em que sentido o livro é um aprendizado da vida através da experiência da morte. Com o propósito de elaborar esta questão, este artigo está baseado em quatro passagens de A montanha mágica em que a morte é um motivo destacado A partir da interpretação destas passagens, proponho a seguinte análise: ao menos nestas passagens escolhidas, é possível identificar três distintas formas para a morte: o rigor mortis, a bela morte e a morte do reino das sombras, uma alusão ao Canto XI da Odisseia, de Homero. É a partir do espelhamento entre estas passagens que se torna possível ver como há uma dimensão para além da paródia neste romance de formação, a saber: a plasticidade de toda forma.

Palavras-chave:
Thomas Mann; A montanha mágica; forma; morte
The Fly and the Pan: the Forms of Death in The Magic Mountain

The aim of this article is to understand Thomas Mann’s project as he conceived The Magic Mountain as a Bildungsroman. Beyond the well-established interpretation that his book is a parody of the Bildungsroman-genre, the present study sets out to grasp the extent of Mann’s opus as na apprenticeship of life by the experience of death. To elaborate on the question, this article draws from four excerpts of The Magic Mountain in which death appears as a central theme. From the interpretation of these passages, I propose the following analysis: at least in the selected excerpts, it is possible to identify three distinct forms for death: as rigor mortis, or death stiffness; as the beautiful death; and as the “Realm of shades”, in na allusion to Book 11 of Homer’s Odyssey. By contrasting these passages, as in a mirror, it becomes possible to behold a dimension that is beyond parody in this Bildungsroman story; namely, the plasticity of all form.

Keywords:
Thomas Mann; The Magic Mountain; form; death