A educação estética de Hans Castorp: A montanha mágica como Bildungsroman
Pedro Caldas
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio)
Rio de Janeiro (RJ)
CALDAS, Pedro. “A educação estética de Hans Castorp: A montanha mágica como Bildungsroman”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 6, n° 12 (jul-dez/2012), p. 128-150.
Aprovado: 01/03/2013 · Publicado: 13/07/2013
A educação estética de Hans Castorp: A montanha mágica como Bildungsroman

Neste artigo, faço uma reflexão crítica sobre o romance A montanha mágica (1924), de Thomas Mann, como um possível romance de formação. De acordo com Franco Moretti, o ‘Bildungsorman” é a forma simbólica da modernidade, porque é nela que a juventude se torna a parte mais significativa da vida, na medida em que incorpora o dinamismo e a instabilidade que tanto caracterizam a temporalidade moderna. A experiência da juventude pode ser uma das coisas perdidas depois da Primeira Guerra Mundial. Esta experiência é marcada por uma sensação de perda da capacidade de construir sentido, como Walter Benjamin articulou em seu famoso ensaio “Experiência e pobreza”. De alguma maneira, a construção de um personagem jovem, como Hans Castorp (mesmo que ele tenha vivido antes da Guerra) implica um desafio formal. Qual foi a linguagem disponível para a construção de um personagem jovem naquele momento histórico específico? Neste artigo, defendo a ideia de que Hans Castorp, diferentemente de um Pip, de Charles Dickens, ou de um Rubempré, de Balzac, não se resigna nem se autodestrói. Ele é um personagem de romance de formação na medida em que se deixa educar esteticamente.

Palavras-chave:
Bildungsroman; República de Weimar; Thomas Mann; A montanha mágica
Hans Castorp´s Aesthetic Education: The Magic Mountain as a Bildungsroman

In this paper I reflect critically on Thomas Mann´s novel The Magic Mountain (1924) as a possible Bildungsroman. According to Franco Moretti, the “Bildungsroman” is the symbolic form of modernity, because it is in it that youth that becomes the most significant part of life for incorporating the dynamism and instability that so much characterize modern temporality. The experience of youth could be one of the things lost after the First World War. This experience is marked by a sense of loss, the ability to construct meaning, as Walter Benjamin articulated in his famous essay, "Experience and Poverty". Somehow, the building of a young character, such as, Hans Castorp (even if he lived before the War), implies a formal challenge. What was the language available to construct a young character at that specific historical moment?

Keywords:
Bildungsroman; Weimar Republic; Thomas Mann; The Magic Mountain