Da natureza viva à pintura bruta: Cézanne e Merleau-Ponty
Bruno O. de Andrade
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Rio de Janeiro (RJ)
ANDRADE, Bruno O. de. “Da natureza viva à pintura bruta: Cézanne e Merleau-Ponty”. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 6, n° 12 (jul-dez/2012), p. 80-93.
Aprovado: 04/02/2013 · Publicado: 13/07/2013
Da natureza viva à pintura bruta: Cézanne e Merleau-Ponty

O que se nota ao ler os textos de Maurice Merleau- Ponty que direta ou indiretamente se relacionam com o problema Cézanne é – para além de uma profunda compreensão das linhas de força da pintura do mestre de Provence, e da pintura de um modo geral, rara entre filósofos – uma verdadeira afinidade entre duas formas de pensamento inaugurais, um filosófico e outro pictórico. Haveria entre o pensamento de Merleau-Ponty e a pintura de Cézanne não somente uma afinidade, mas um verdadeiro imbricamento? Um dos pontos desse trabalho pretende esboçar uma resposta a essa questão; o outro ponto a ser discutido, que de algum modo se relaciona com o primeiro, diz respeito à radicalização da pintura de Cézanne nos últimos anos de sua produção, expressa nas magistrais pinturas da Montanha Santa Vitória. Tal radicalização, nos parece, escapa à análise de Merleau Ponty; no entanto, pode ser análoga à radicalização do pensamento do autor de O olho e o espírito, à sua fenomenologia da percepção ou do corpo, à ontologia do ser bruto, da carne.

Palavras-chave:
Cézanne; Merleau-Ponty; percepção; pintura bruta
From Moving-life to Brute Painting: Cézanne and Merleau-Ponty

What one can perceive after reading the texts by Merleau-Ponty that are directly or indirectly related to the problem of Cézanne is – beyond the deep comprehension of the strenghts of the master from Provence, and of painting in general, rare among philosophers – a true affinity between two precusor thoughts, one philosophic and the other pictorial. Among the thought of Merleau-Ponty and the painting of Cézanne would there be not only an affinity, but also a real overlap? One point of this paper drafts an answer to this question; the other point of discussion, somehow related to the first one, concerns to the radicalization of Cézanne’s painting in the late years of his production, expressed on the masterly paintings of the Mount Sainte-Victoire. This radicalization, it seems, is not comprehended by Merleau-Ponty’s analysis; however, it can be analogous to the radical thought of the author of Eye and Mind, to his fenomenology of perception or of the body, to his ontology of the brute being, of flesh.

Keywords:
Cézanne; Merleau-Ponty; perception; brute painting